HCB Aumenta Produção e Regista Receitas de 263 Milhões de Dólares
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) produziu 6.399,02 gigawatts-hora de energia no primeiro semestre de 2026, superando em cerca de 10% a meta prevista para o período.
A produção também cresceu 13% em comparação com os primeiros seis meses de 2025, o que representa um aumento aproximado de 736 gigawatts-hora.
O desempenho foi favorecido pela melhoria das condições hidrológicas na Bacia do Zambeze, pela recuperação do nível de água na Albufeira de Cahora Bassa e por uma gestão mais rigorosa das operações da empresa. O armazenamento útil da albufeira, que chegou a níveis próximos de 20% em 2025, subiu para um máximo de 56% no primeiro semestre deste ano.
Esta recuperação poderá permitir o levantamento gradual das restrições operacionais impostas desde Julho de 2024, numa altura em que a empresa procurava preservar a água disponível devido a dois anos consecutivos de seca severa. Apesar da melhoria das chuvas, a HCB afirma que os resultados também foram possíveis graças ao reforço dos programas de manutenção, engenharia e gestão da produção.
A empresa conseguiu aumentar a geração de energia sem comprometer a recuperação das reservas de água, reduzindo os riscos operacionais para os meses seguintes. Durante o período, a HCB também não registou acidentes de trabalho.
A produção adicional permitiu à empresa alcançar receitas estimadas em 263 milhões de dólares, equivalentes a mais de 16 mil milhões de meticais, dependendo da taxa de câmbio utilizada. O resultado líquido ultrapassou 115 milhões de dólares, segundo dados ainda não auditados.
Estes números indicam que a HCB continua a apresentar uma forte capacidade de geração de receitas quando existem condições favoráveis de água e disponibilidade técnica dos equipamentos. Os resultados poderão aumentar a capacidade da empresa para financiar a manutenção e modernização da central, realizar novos investimentos, pagar dividendos e apoiar projectos sociais.
No entanto, os valores finais dependerão da auditoria das demonstrações financeiras, da evolução dos custos, das taxas de câmbio e dos contratos de venda de energia.
O desempenho operacional da empresa também teve reflexos na Bolsa de Valores de Moçambique. As acções da HCB atingiram uma cotação máxima de 3 meticais durante o primeiro semestre de 2026. No período, foram transaccionadas mais de 27,5 milhões de acções, num volume financeiro aproximado de 80,5 milhões de meticais.
A capitalização bolsista da empresa situou-se próxima de 92,1 mil milhões de meticais. Apesar destes números, o volume de acções negociadas continua reduzido em comparação com o valor total da empresa. Isto mostra que a HCB tem um peso elevado na Bolsa, mas as suas acções ainda apresentam baixa liquidez.
Uma maior participação de investidores e uma divulgação mais regular de informações financeiras poderão ajudar a aumentar a negociação das acções no mercado.
O aumento da produção da HCB reforça a disponibilidade de energia para Moçambique e para os países da África Austral. A empresa tem um papel importante na estratégia nacional de expansão da geração e exportação de electricidade, sobretudo através do Southern African Power Pool, mercado regional que permite a compra e venda de energia entre países.
Contudo, produzir mais energia não é suficiente. Moçambique também precisa de reforçar as redes de transporte e distribuição para garantir que a electricidade chegue às famílias, empresas, indústrias e projectos agrícolas. O País terá de encontrar um equilíbrio entre o abastecimento do mercado interno, o cumprimento dos contratos de exportação e a obtenção de receitas através da venda de energia ao exterior.
Embora o nível de armazenamento tenha recuperado, a HCB continua exposta às alterações climáticas e à irregularidade das chuvas na Bacia do Zambeze. Grande parte da água que chega a Moçambique tem origem em países localizados a montante, o que significa que períodos prolongados de seca podem afectar a produção de energia, as receitas da empresa e o fornecimento aos mercados regionais.
Além disso, uma grande parte da capacidade de armazenamento de água do País está concentrada na Barragem de Cahora Bassa. Por essa razão, a recuperação observada em 2026 deve ser aproveitada para reforçar as reservas, melhorar os sistemas de previsão hidrológica e acelerar os trabalhos de manutenção e modernização da central.
Os resultados dos primeiros seis meses mostram que a HCB se encontra numa posição mais favorável em comparação com os dois anos anteriores. A produção superou a meta, as reservas de água recuperaram, as receitas aumentaram e as acções valorizaram na Bolsa de Valores.
No entanto, o desempenho do segundo semestre dependerá da evolução das chuvas, da manutenção dos equipamentos, da gestão da albufeira e da confirmação dos resultados financeiros após a auditoria. O principal desafio será transformar a recuperação da disponibilidade de água num crescimento sustentável, capaz de fortalecer a segurança energética, gerar receitas para o País e apoiar o desenvolvimento económico de Moçambique.
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