Moçambique lidera o potencial africano em gás natural liquefeito
Moçambique destaca-se como o país africano com maior carteira de projectos propostos de gás natural liquefeito, conhecido internacionalmente como LNG. A informação consta do World LNG Report 2026, da International Gas Union, que aponta para uma capacidade potencial combinada de cerca de 45 milhões de toneladas por ano no país.
Este posicionamento coloca Moçambique entre os mercados com maior potencial de crescimento no sector energético, num momento em que a procura mundial por gás natural liquefeito continua a aumentar. Em 2025, o comércio global de LNG atingiu um novo recorde, impulsionado pela necessidade de vários países garantirem fontes de energia mais seguras e diversificadas.
O destaque de Moçambique está ligado principalmente aos projectos da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, onde se encontram algumas das maiores reservas de gás natural do continente. Entre os principais projectos estão o Coral Sul, já em operação, o Coral Norte, que recebeu decisão final de investimento em 2025, e os projectos Rovuma LNG e Mozambique LNG, considerados decisivos para aumentar a escala da produção nacional.
O avanço do Coral Norte é visto como um dos sinais mais importantes para o sector. O projecto terá capacidade de produzir 3,6 milhões de toneladas por ano e deverá duplicar a capacidade offshore de Moçambique, elevando a produção flutuante de LNG para mais de 7 milhões de toneladas por ano.
Este modelo offshore, realizado no mar através de unidades flutuantes, tem ganhado relevância porque reduz parte dos riscos ligados à segurança e às infra-estruturas em terra. O Coral Sul, que já se encontra em operação, mostrou que Moçambique tem capacidade para exportar LNG através deste modelo, reforçando a confiança na continuidade de projectos semelhantes.
Apesar destes avanços, o maior potencial do país continua dependente dos grandes projectos em terra. O Rovuma LNG e o Mozambique LNG representam uma parte significativa da capacidade futura de produção, mas continuam condicionados por factores como segurança em Cabo Delgado, financiamento, execução dos projectos, estabilidade operacional e confiança dos investidores.
A importância do LNG para Moçambique vai muito além da exportação de gás. O verdadeiro desafio será transformar estes projectos em receitas públicas sustentáveis, emprego qualificado, oportunidades para pequenas e médias empresas, desenvolvimento de fornecedores nacionais, infra-estruturas e maior diversificação da economia.
Especialistas alertam que possuir grandes reservas naturais não garante automaticamente desenvolvimento. Para que o gás se traduza em riqueza real para o país, será necessário assegurar boa gestão das receitas, transparência, conteúdo local, formação técnica, participação de empresas nacionais e ligação entre os grandes projectos e a economia doméstica.
O mercado global também está cada vez mais competitivo. Países como Estados Unidos, Qatar, Canadá, Austrália e vários produtores africanos estão a aumentar a sua capacidade de produção. Isso significa que Moçambique tem uma oportunidade importante, mas precisa acelerar decisões, garantir segurança e melhorar a capacidade de execução para não perder espaço numa janela de mercado cada vez mais disputada.
A posição destacada no relatório confirma que Moçambique tem uma das maiores oportunidades energéticas de África. No entanto, o impacto real dependerá da capacidade do país de transformar o potencial do LNG em crescimento económico inclusivo, empresas mais fortes, emprego e melhoria efectiva das condições de vida da população.
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