Quanto da Riqueza do Gás do Rovuma Ficará em Moçambique?
Os mais de 77 mil milhões de dólares frequentemente associados ao potencial económico do gás natural da Bacia do Rovuma não deverão traduzir-se em receitas da mesma dimensão para o Estado moçambicano.
Um estudo do Centro de Integridade Pública (CIP), realizado em parceria com o Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) e a Oxfam Moçambique, conclui que o benefício líquido para o Estado poderá situar-se em cerca de 5,27 mil milhões de dólares ao longo dos 27 anos de exploração do projecto Coral Sul FLNG.
Segundo a análise, embora o projecto possa gerar dezenas de milhares de milhões de dólares ao longo da sua vida útil, apenas uma fracção desse valor chegará efectivamente aos cofres públicos. O montante estimado inclui receitas fiscais, dividendos da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e desconta os custos financeiros associados à dívida contraída para financiar a participação da empresa estatal no projecto.
O estudo sublinha que existe uma diferença significativa entre o valor total gerado pelo projecto e a parcela efectivamente captada por Moçambique. Grande parte das receitas produzidas pelo Coral Sul é inicialmente destinada à recuperação dos elevados custos de exploração, desenvolvimento e operação suportados pelos investidores. Como resultado, as receitas mais expressivas para o Estado só deverão começar a surgir após 2033.
Comentários
Não há comentários ainda. Seja o primeiro a comentar!