Economia Moçambicana abranda 7% no início do ano
A economia moçambicana registou uma queda de 7% no primeiro trimestre deste ano, num período marcado por dificuldades internas e instabilidade internacional. Os dados foram apresentados pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), durante o Economic Briefing realizado esta quinta-feira.
Segundo o presidente da CTA, Álvaro Massingue, o Índice do Ambiente Macroeconómico caiu de 62 para 55 por cento, enquanto o Índice de Robustez Empresarial recuou de 28 para 26 por cento, demonstrando que as empresas estão cada vez mais vulneráveis aos choques económicos.
Entre as principais causas desta desaceleração estão as cheias que afectaram várias regiões do país, a escassez de divisas, problemas no abastecimento de combustíveis, dificuldades logísticas e os impactos da instabilidade internacional, incluindo o conflito no Médio Oriente.
Massingue explicou que muitas empresas sofreram prejuízos devido à destruição de infra-estruturas, equipamentos e mercadorias, sobretudo nas províncias de Gaza e Maputo. Além disso, as interrupções nas cadeias de abastecimento dificultaram a circulação de pessoas e produtos, comprometendo tanto o acesso às matérias-primas como a venda dos produtos finais.
Apesar do cenário desafiante, a CTA reconhece alguns sinais positivos. A inflação manteve-se em cerca de 4,1%, contribuindo para maior estabilidade dos preços, enquanto a taxa de câmbio apresentou um comportamento relativamente estável. A redução gradual das taxas de juro também é vista como uma oportunidade para incentivar o investimento privado e reduzir os custos de financiamento das empresas.
Para melhorar o ambiente de negócios, o sector privado defende medidas como maior acesso ao financiamento, pagamento das dívidas do Estado às empresas, aumento da disponibilidade de divisas, modernização das infra-estruturas e aceleração das reformas económicas.
Do lado do Governo, o ministro da Economia, Basílio Muhate, apresentou uma visão mais optimista. Segundo o governante, a produção industrial manteve-se estável e o país registou um saldo positivo de 114 milhões de dólares no comércio externo, resultado do aumento das exportações e da redução das importações.
O Governo revelou ainda que foram aprovados 66 novos projectos de investimento avaliados em mais de 568 milhões de dólares, com potencial para criar mais de 13 mil empregos. No turismo, entraram em funcionamento 44 novos empreendimentos, responsáveis pela criação de cerca de 398 postos de trabalho.
Muhate reconheceu, no entanto, que continuam a existir desafios como a inflação, a dívida interna e os atrasos nos pagamentos do Estado às empresas. Para enfrentar estes problemas, defendeu maior coordenação entre o Governo, o Banco Central e o sector privado para reforçar a estabilidade económica e apoiar a recuperação do país.
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