Inflação pode atingir dois dígitos em Moçambique, alerta Banco de Moçambique
O Banco de Moçambique alertou que a inflação no país pode atingir dois dígitos, ou seja, ultrapassar os 10%, caso a crise dos combustíveis e a subida dos preços internacionais do petróleo continuem nos próximos meses.
O aviso foi feito pelo governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada em Maputo. A instituição explica que o aumento dos combustíveis já está a pressionar diretamente o custo de vida, encarecendo o transporte, a logística e, consequentemente, o preço dos produtos básicos.
Segundo o governador, parte das dificuldades no abastecimento de combustíveis está relacionada com a fragilidade financeira de algumas gasolineiras nacionais, que não conseguem cumprir os requisitos exigidos pelos bancos para obter garantias necessárias à importação. Apesar disso, o sistema bancário continua a disponibilizar apoio ao sector, sobretudo para operações de importação de combustíveis, embora nem todas as empresas consigam aceder devido à sua situação financeira.
O Banco Central sublinha ainda que os preços internacionais do petróleo e a instabilidade no Médio Oriente continuam a ser fatores de pressão para a economia moçambicana, o que pode agravar ainda mais a inflação nos próximos meses. Neste cenário, o risco de a inflação atingir níveis de dois dígitos aumenta, dependendo da duração e intensidade destes choques externos.
Para conter estas pressões, o Comité de Política Monetária decidiu manter a taxa MIMO em 9,25% e reforçar o controlo da liquidez no sistema financeiro, através do aumento das reservas obrigatórias dos bancos. Estas medidas visam reduzir a circulação de dinheiro na economia e ajudar a estabilizar os preços.
O Banco de Moçambique também garantiu que o reembolso antecipado de cerca de 630 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional não comprometeu a posição financeira do país. Segundo a instituição, as reservas internacionais continuam em níveis considerados seguros, cobrindo aproximadamente cinco meses de importações.
Apesar destas garantias, o sector privado continua a alertar para dificuldades no acesso a divisas, o que tem afetado a importação de matérias-primas e bens essenciais, acrescentando mais pressão ao ambiente económico já marcado por incertezas.
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