Mercado de Capitais como Chave para Industrialização de Moçambique
O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, defendeu que Moçambique só alcançará verdadeira independência económica quando conseguir financiar internamente o seu próprio desenvolvimento, reduzindo a dependência externa e aumentando a capacidade nacional de produzir, investir e reter riqueza.
A posição foi apresentada durante a intervenção “Contribuição do Sistema Financeiro para o Alcance da Independência Económica”, realizada em Maputo no passado dia 19 de Maio, onde o governante traçou um diagnóstico crítico sobre as fragilidades estruturais da economia moçambicana e apontou o mercado de capitais como um dos instrumentos centrais da transformação económica do país.
Segundo Valá, o principal desafio de Moçambique já não está apenas no crescimento económico, mas na dificuldade de transformar esse crescimento em industrialização, fortalecimento empresarial e capacidade produtiva nacional.
“O desenvolvimento sustentável exige capacidade interna de financiamento”, defendeu o Ministro, alertando que a excessiva dependência de capital externo torna a economia mais vulnerável a choques internacionais e limita a retenção da riqueza produzida no país.
Durante a apresentação, Valá destacou que o actual sistema financeiro moçambicano continua excessivamente focado no financiamento de curto prazo, comércio e importações, apresentando limitações na capacidade de apoiar sectores estratégicos como indústria, infra-estruturas e produção nacional.
O governante alertou igualmente para os baixos níveis de profundidade financeira da economia moçambicana. Segundo os dados apresentados, o crédito ao sector privado representa apenas cerca de 21% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a capitalização bolsista ronda os 20% do PIB, números inferiores aos observados em economias africanas mais desenvolvidas financeiramente.
Neste contexto, Valá defendeu o fortalecimento do mercado de capitais como mecanismo essencial para mobilizar poupança interna, financiar investimentos de longo prazo e apoiar o processo de industrialização do país.
Para o Ministro, “industrialização exige capital paciente”, sendo necessário criar mercados financeiros mais profundos, inclusivos e sofisticados, capazes de canalizar recursos para sectores produtivos e estratégicos da economia.
Outro ponto central da sua intervenção foi o papel dos megaprojectos, sobretudo os ligados ao gás natural. Salim Valá considerou que os mais de 60 mil milhões de dólares associados aos projectos de GNL representam uma oportunidade histórica para acelerar a industrialização, fortalecer empresas nacionais e aumentar a participação das PME moçambicanas nas cadeias de valor.
O Ministro defendeu ainda maior retenção interna da riqueza gerada pelos recursos naturais, reforço do conteúdo local e maior integração de empresas moçambicanas nos grandes projectos económicos.
“A soberania económica depende da capacidade de financiar, produzir e reter riqueza internamente”, afirmou.
A reflexão apresentada por Salim Valá reacende o debate sobre o papel do Estado, da banca, da Bolsa de Valores e dos investidores institucionais na transformação económica de Moçambique, numa altura em que o país procura redefinir as bases do seu crescimento e reduzir a dependência estrutural de financiamento externo.
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