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Inteligência artificial impulsiona crescimento global em 3,3%

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A economia mundial deverá atravessar 2026 com um crescimento estimado em 3,3%, revelando uma capacidade de resistência superior ao esperado num contexto marcado por tensões comerciais, incerteza geopolítica e elevados níveis de endividamento.

Este desempenho assenta sobretudo na forte expansão do investimento em tecnologia com destaque para a inteligência artificial (IA) que se consolida como o principal pilar do actual ciclo de crescimento global. Ainda assim, por detrás deste cenário relativamente favorável, acumulam-se vulnerabilidades que podem tornar a trajectória económica mais instável no médio prazo.

Após o impacto inicial das perturbações comerciais lideradas pelos Estados Unidos, a actividade económica global conseguiu estabilizar. A dissipação parcial das tensões comerciais, estímulos fiscais mais expressivos do que o previsto, condições financeiras ainda acomodatícias e uma maior capacidade de adaptação do sector privado permitiram amortecer os choques iniciais. As revisões em alta das projecções de crescimento concentram-se essencialmente nos Estados Unidos e na China, que continuam a exercer um peso determinante na trajectória da economia mundial.

O elemento distintivo deste ciclo é o protagonismo da tecnologia. Nos Estados Unidos, o investimento em tecnologias de informação atingiu a maior proporção do PIB desde o início dos anos 2000, compensando a debilidade persistente da indústria transformadora. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma expectativa futura e passou a orientar decisões concretas de investimento, reconfigurando estratégias empresariais e sustentando a valorização dos mercados accionistas. Os efeitos deste dinamismo estendem-se a outras regiões, em particular à Ásia, através das exportações de semicondutores, componentes electrónicos e serviços digitais integrados nas cadeias globais de valor.

Contudo, este mesmo motor de crescimento constitui também uma fonte crescente de risco. A valorização expressiva das bolsas desde 2022 reflecte expectativas elevadas quanto aos ganhos de produtividade e rentabilidade associados à IA, mas tem sido acompanhada por um aumento significativo do recurso ao financiamento por dívida. O resultado é uma maior alavancagem financeira, que pode amplificar choques caso os retornos esperados não se materializem ou as condições financeiras se tornem mais restritivas.

As analogias com o período dot-com surgem inevitavelmente, ainda que o contexto actual apresente diferenças relevantes. O crescimento do investimento tecnológico tem sido mais gradual e sustentado, e muitas das empresas líderes exibem resultados e fluxos de caixa sólidos. Ainda assim, a forte concentração da valorização bolsista num número limitado de grandes empresas tecnológicas aumenta a vulnerabilidade do sistema económico global a uma correcção abrupta desses activos.

Os riscos para a economia mundial são assimétricos. Num cenário favorável, a difusão mais ampla da inteligência artificial poderá acrescentar cerca de 0,3 pontos percentuais ao crescimento global. Num cenário adverso, uma correcção moderada das valorizações tecnológicas, combinada com um aperto das condições financeiras, poderá reduzir o crescimento mundial em até 0,4 pontos percentuais, com impactos mais pronunciados nas economias tecnologicamente intensivas e efeitos indirectos relevantes sobre países emergentes e de baixo rendimento.

Neste contexto, os desafios de política económica tornam-se mais exigentes. A supervisão prudencial é chamada a conter riscos financeiros num ambiente de preços de activos elevados e endividamento crescente. A política monetária enfrenta um equilíbrio delicado entre o controlo da inflação, a estabilidade financeira e o apoio ao crescimento, enquanto o espaço orçamental limitado restringe a capacidade de resposta fiscal. Em paralelo, a transformação tecnológica levanta questões estruturais em matéria de emprego, salários e desigualdade, exigindo políticas activas de qualificação e mobilidade laboral.

A economia global entra, assim, numa fase em que o optimismo tecnológico sustenta o crescimento, mas também concentra fragilidades. O desafio central para decisores políticos e investidores será transformar o actual impulso da inteligência artificial num crescimento duradouro e inclusivo, evitando que a dependência excessiva de um único motor conduza a novos ciclos de instabilidade com custos económicos elevados.

Fonte: https://www.oeconomico.com/

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